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Poemas e Pensamentos (Luiz Gabriel Natividade)

Sei que não há palavras suficientes para exprimir o que acontece no meu coração, bem que eu poderia escrever um livro, usar todos os bons adjetivos listados no dicionário, criar neologismos, músicas ou qualquer coisa que chegasse próximo de expressar o que sinto por você. E ainda assim, jamais conseguiria retratar fielmente como me sinto incrível ao estar perto de você e olhar nos seus olhos – profundos e literaturáveis. Gosto deles porque não preciso dar explicações para a minha boca, já que os teus olhos são a única palavra de que eu preciso. Às vezes até imagino que nosso olhar é uma gaveta que guarda todos os mapas de todos os caminhos e uma vez aberta jamais, jamais deixamos de amar. E a graça de amar consiste nisso: em apaixonar-se todos os dias como se fosse a primeira vez, sentir-se livre ao olhar para os mesmos olhos, sorrir ao ver a mesma face, “é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto”, é beijar até perder a percepção do espaço-tempo, é deixar se envolver pelo canto da sereia que fisga e faz com que mergulhemos no mar inseguro e que percamo-nos nas águas da paixão, sem desconsiderar que há coisas que só se revelarão no a(mar)… Espero levar todos esses momentos no decorrer da vida em minhas singelas lembranças e memória. Agradeço por você ter me feito ver a vida com outros olhos, mesmo isso parecendo clichê ou qualquer outra coisa que os outros queiram chamar. Agradeço-te por esse seu coração imenso e transbordante e por todos esses abraços aconchegantes. A sua ternura é a beleza bordada em versos, é o fio da poesia com qual eu teço a minha colcha de amor e na tua ausência, ainda que longe, em mim vive detalhes teus; todo olhar se cessa de se mapear, o peito dói de tanto que aperta, toda saudade inflama e não dorme. Vai entender… o coração tem sua própria razão e seus próprios olhos e quando você se apaixona você perde a razão completamente, é um processo momento a momento no qual você se torna mais, seu sentimento é maior, sua sensibilidade… quem me dera fôssemos impermeáveis contra os sentimentos e não entendêssemos os significados das palavras. Amar dói, mas dói muito mais não ser amado. Viver sem amor é como viver em um deserto, morrendo de fome e sede, correndo desesperadamente em direção a miragens, é como sofrer mil vezes mais. Simplesmente amo-te, além da dor, além de mim. Amo-te porque há em meu espírito uma vontade insaciável de te sentir feliz e o teu olhar não deixa de ser o meu melhor estado de espírito. É pedir demais sussurrar os doces sonetos shakespearianos e camonianos em seu ouvido? Escutar juntos Djavan e perdermo-nos em suas letras incompreensíveis – assim como nós. Lembre-se que há promessa feita de que me lerá todos os versos de amor ao amanhecer e comporá versos de amor ao anoitecer. E mesmo que o amor tenha andado em quarto minguante, quem prova que agora não é a vez de lua cheia nos tempos do verbo amar? Sim, és uma lua que orbitas a volta dos outros que são a tua Terra! Queria eu perder-me nas galáxias de seus intensos olhos, sentir o calor de sua pele e como resposta, queimar-me em reciprocidade pra então se alinhar com você. Quantas palavras não roubei da literatura para te conquistar, para te levar, como se leva uma oferenda a um altar. E podes ter a certeza, meu amor, lhe roubo tantas quantas forem possíveis e necessárias, conquanto fiques comigo, conquanto lhe tenhas. Você, meu grande amor de versos perdidos. Cometi um ato indecoroso antes de erguer minha oferenda pro céu, em nome do teu amor! Puseste meu pobre coração na cruz, no teu penoso altar. Porventura imitei Dante: contigo desci aos infernos e subi aos céus. Manifesto antropofágico das entranhas de um amor ardente! Saiba que em cada pensamento, em cada imagem, em cada olhar, em cada lágrima e cada canto, você é a parte mais oculta de mim. Tu és a essência e o significado de tudo. És o sol, a leveza das nuvens, o perfume das flores, o calor do fogo. Tu és a beleza das espécies, a força das rochas, a história da vida, a filosofia da morte, o branco da pureza, o mistério do preto, a cor do pôr do sol, os olhos dos céus. És no tocante (e no sublime) o presente dos deuses, o presente divino, nos braços de Hermes a ser conduzido, diante do leito nupcial, carnal; a esperança escandalizada, formalizada; o motivo de sorrisos de outrens; o coração leve, flutuante que, acertado em cheio pela flecha do cupido, lhe traz as benesses da vida; a sedução em suas saliências, corpulências, curvescências; as peles, os pelos, as cores, os cheiros; a esperança desvairada, provocada, a expectativa, a fórmula, a ação central, és filho de Afrodite, a materialização humana do amor; no afeto e no prefácio, o fundador. E enquanto te escrevo, o caos se estabelece lá fora, mas não se preocupe uma parte de nós deseja isso: deseja o caos. Eu sou apenas aquela pobre alma que só deseja, antes de tudo, amar. Desejar, ser desejado, se entregar aos prazeres com a alma, se envolver no todo desse pacote com anseios, maneiras, agires, pensares, necessidades que me trazes. O amor às vezes é isso: oferecer até o que não se tem e se entregar a ponto de se deixar. Há verso mais bonito que esse? Ser a música de outra pessoa, ser as notas de uma canção, ser um acorde, ser a partitura desenhada no corpo, ser frequência, ser vibração, ser sintonia, estar sintonizado a alguém, é algo realmente lindo. Não escrevo para preencher e sim para esvaziar. Não é para dar o sentido, é para tirar todo o sentido. E no amor nossas expectativas são ainda mais intensas. Tentem multiplicar isso pelo número dos seus desejos e verás do que falo.

Luiz Gabriel Natividade

Às vezes, teço de fio em fio versos aleivosos para interpretar-me e compreender o porquê da poesia ser filigranada de nenhum significado e não remeter a valor algum. E o que pode sair de mim, é apenas um raio de luminosidade sonora, de tudo aquilo que me invade. As palavras sabem o caminho dos nossos encontros e talvez seja por isso que os poetas habitam o décimo círculo do inferno. Entre o lugar de onde vim e aquele onde quis chegar fiquei suspenso no vazio: aqui.
Façamos alguma poesia, mesmo que – como dizia o poeta – tenha se esgotado a exegese. Numa prosa e poesia, o gosto da leitura se completa por hora na máxima do sabor resplandecente das palavras que esta alude; necessitamos de palavras pra saborear, palavras pra acalentar o coração, pra alimentar a alma, para defenestrar o gozo de sentir!
O ponto sobre o nó da poesia é sempre o mesmo: afinal, “não chores pobre coração de um poeta amargurado… dilacerado pelas dores do mundo”. Paixão na e pela linguagem, o poeta é lá atravessado por essa paixão avassaladora, ele é passivo a ela e, portanto quem será capaz de cativar um coração vadio perdido nos devaneios da linguagem?
Não querendo soar meio angústia sartriana, mas essa nossa possibilidade de escolha (liberdade) humana provoca angústia e, por sua vez, deixa o homem num estado de torpor, náusea. Isso é o peso da existência. 
Esses momentos são aqueles em que nos damos conta da grandiosidade das coisas e em como as buscamos mesmo assim, sejam elas boas ou ruins, sejam elas palpáveis ou sentimentais. É entre essa alternância entre cheio e vazio, sentir e não-sentir, que percebemos que a grandiosidade das coisas do mundo não está no mundo, mas em si. E quando você percebe essa grandiosidade, vem à náusea da existência. 
A grandiosidade das possibilidades e a incerteza das escolhas (o cheio e o vazio) te gera náuseas. Eu bem que preferiria algo mais Dostoievski, mas esse tal “mistério” incomensurável e irreconhecível que move o continuum da existência humana se assemelha a tal ‘essência’ da qual jamais poderemos compreender na existência, mas apenas descrever. 
Lembremos: a poesia é necessária na medida em que ela completa o vazio de nossa existência e dá sentindo àquilo que não conseguimos, de fato, explicar e expor. Afinal, a poesia é prece feita de não-dizeres, é colcha tecida de vontades. E antes que alguém fique com ciúmes deixo claro: no coração de um poeta, moram todas as letras do alfabeto… E ainda assim eu vos amo!

Luiz Gabriel Natividade

Obs: Esta é uma obra aberta e sempre estará sendo atualizada conforme criação e envio de conteúdos do autor.

 

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Luiz Gabriel Natividade

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Comentários 2

  1. Olá! Canal Livro e Escritos

    Ao autor Luiz Gabriel Natividade, Olá! e seja bem vindo neste nosso espaço.
    Grande Abraço!
    Olá! Canal Livro e Escritos

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  2. Olá! Canal Livro e Escritos

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    Olá! Canal Livro e Escritos

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