Carta ao leitor

Carta ao leitor

Mogi Mirim, 11 de agosto de 2020

Olá, como vai?

Aqui vou bem, sigo vivendo o isolamento social, saindo somente o necessário, por isso penso e escrevo essa carta a você no aconchego da minha casa.

 

Nesse período de quarentena a sensação de estar preso dentro de casa é um tanto quanto frustrante e desanimadora. Ficar sem ver os amigos, sem poder ir ao restaurante favorito, sem poder viajar ou mesmo pegar um cineminha, enfim, infinitas possibilidades que a vida antes da pandemia nos oferecia. Mesmo que hoje, o município de Mogi Mirim e algumas cidades da região Campinas, tenha entrado na fase amarela, e seja permitido frequentar restaurantes, academias, nada é como antes. Há um protocolo a ser respeitado. Sobretudo cuidados para o bem estar e segurança de todos. O uso de máscara continua obrigatório, o uso de álcool gel, ter um aferidor de temperatura em cada loja, mercado, agora restaurantes, além de toda higienização extremamente necessária, tudo deve ser realizado com cautela.

 

 Mesmo em fase amarela, ou seja, de flexibilização, você leitor, possa ser como eu, que teme um aumento significativo de casos de infectados e óbitos na cidade por Covid-19 permanecendo em casa, saindo somente o necessário. A situação do Brasil como um todo ainda não está fácil. As vidas perdidas atingiram a casa dos 100 mil, muitas famílias e amigos perderam entes queridos. E ao constatar os números não podemos pensar como se fossem nada além disso, temos que exercer nosso lado humano, nos conscientizar e pensar que a vida de uma pessoa acabou. Morreu com ela expectativas e sonhos.

 

Particularmente tenho sentido que a humanidade cada vez mais se torna egoísta e insensível. Banalizando a morte. Como disse o ator Flávio Migliaccio “A humanidade não deu certo”.

 

Também acredito e espero que as pessoas comprometidas  a respeitar a quarentena tenham passado por momentos de reflexão. De certo modo acabou sendo inevitável não refletir. Muitas vezes sozinha com os pensamentos pensei em muitos aspectos da minha vida e do mundo. Sobre essa nova realidade, sobre os planos que foram adiados, sobre as vidas interrompidas, e sobretudo vidas que de alguma forma sempre estiveram em quarentena, seja enjauladas- o caso de animais em zoológicos, que não tem o direito de seguir livre no seu verdadeiro habitat ou mesmo pessoas com deficiência que durante toda vida foram limitadas pela falta de acessibilidade nos espaços.

 

Realmente espero que a reflexão possa ter feito ou fazer ainda parte dessa fase.

 

Encerro essa carta dizendo a você meu caro leitor que em tempos difíceis como esse continue tendo fé e que continue se cuidando.

   

Ass. Ariane Roque, 20 anos, editora responsável

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