Auto-engano de Eduardo Giannetti

A verdade dói
O economista Eduardo Giannetti não precisa de mais do que 254 páginas para provar que vivemos uma terrível (e inevitável) mentira quando o assunto é o que pensamos sobre nós mesmo. Em sua obra “Auto-engano” ele discorre sobre o processo da auto-mentira e o impacto que ele tem em todos os seres humanos.
Será que o conceito que você tem de si, corresponde com o que realmente és? Se não corresponde, seja lá por qual motivo você possa se convencer disso, o seu auto-julgamento está distante do que és de fato? Como, afinal de contas, é possível saber o quanto nos enganamos e por que o fazemos? São estas questões que Giannetti elucida em sua obra filosófica.
Para você ter uma ideia sobre o processo de auto-engano é necessário elucidar o que entendemos por mentira. Mentira é o que não é verdade. Mais ainda, é o que não é verdade e sei que não é verdade. Neste contexto não basta para a mentira ela não ser verdade. Para que funcione, é preciso que o mentiroso tenha plena consciência de que o que conta, não ocorreu necessariamente. Há duas premissas aí e é fácil alcançá-las no convívio social, afinal o objetivo da mentira é ludibriar os outros. Agora tente levar tudo isso para o campo individual. Tente mentir para si mesmo, é possível? Para que eu possa mentir para mim mesmo preciso me convencer de que a mentira não é mentira, pois só assim ela passará pelo meu juízo de valor. Em outras palavras, num primeiro momento minto e sei que estou mentido. Num segundo, esqueço-me de que minto e aceito a mentira como verdade, por mais contraditório que isso possa parecer. No terceiro e definitivo (e que justifica, pelo menos para mim toda a contrariedade dos momentos anteriores) ela me faz bem. O desejo de todo mundo é ficar bem, daí a essência do auto-engano.
O autor vai muito além desta precária demonstração da mentira para si mesmo. Faz uma análise histórica e científica do processo de auto-engano e o quanto ele foi (e é) importante. Uma obra filosófica com tema específico e bem desenvolvido. Um convite irrecusável para pensarmos sobre nós. Porque eu não sou um robô.
Fica a resenha e a dica.
Abraços.

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